sexta-feira, 31 de agosto de 2007

reminiscências

Ode XI

Não procures saber - os deuses não permitem - o fim que será dado a mim ou a ti, Leocone, nem busque saber a sorte dos números nos templos babilônicos. O quanto é melhor dedicar-se aos afazeres domésticos. Sejam, ainda numerosos, os anos que nos restam, ou seja este o último que devemos dar tributo a Júpiter, sem nunca mais ver as fracas águas baterem nas duras rochas do Mar Tirreno. Sê sábia, filtra teus vinhos, e o tempo passará célere. De inveja, o tempo voa enquanto falamos: colhe o dia de hoje, não te importes com o amanhã.

Horacio - séc I a.c.



Confias no incerto amanhã? Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável? Aceitas que a diurna inquietação da alma substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos, os instantes; e nos lábios dessa que amaste morre um fim de frase, deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória, para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém, nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias; e abraças a própria figura do vazio. Então, por que esperas para sair ao encontro da vida, do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará à renúncia de mim próprio - nem esse olhar que me oferece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino por vezes, se confunde com a
brevidade do verso.

Nuno Júdice - séc XX

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

GRÁVIDA!

de luis carlos prestes.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

mary on the sofa

quando eu vi você, tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse mil faces num só instante

basta um instante

e você tem amor bastante


hoje me sentindo tão virginiana, o que mafoca diz ser uma constante.
hoje tentando cortar as frituras, o ócio e o drama.
hoje ainda persuadindo a tão sonhada des-construção. do início.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

.
eu queria ser uma árvore de natal.
carregada, arrastada, cortada..
tudo aquilo o que fazem com uma árvore de natal
decorada ia ficar tão bonita
fitas, sinos, anjos e estrelas.
ah, e bolinhas vermelhas. e douradas. e prateadas.
acho que prefiro as prateadas.
mas as vermelhas também.
não se esqueça das vermelhas!

posso ter bengalinhas?
diga que sim. por favor por favor por favor!
adoraria ter bengalinhas.
embaixo de mim, queria muitos presentes.
meus, por pouco, mas meus.
eu queria muito ser uma árvore de natal.
poderia ter uma vida curta
e feliz.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

bip bip bip

nos últimos dias do meu inferno astral, supostos piores dias do meu ano, chego à conclusão de que eu devo ter algum tipo de problema. (nada de dizer duh! eu já sabia....) eu não tenho inferno astral! pelo menos não antes do meu aniversário... do dia 24 de julho até 23 de agosto eu me divirto horrores, e descubro tantas coisas a meu respeito. como todo bom notívago sem absolutely niente para fazer, elaborei uma teoria com embasamento empírico que satisfaz as duas afirmações da frase anterior.

fatos:.
eu adoro processos. caminhos. a sensação será-que-sim-será-que-não-?-talvez-seja-melhor-se-não-mas-eu-
queria-tanto-que-sim,-acho-que-não-vou-pensar-mais-nisso-!-não-consegui... (sim sim, é uma sensação bem detalhada e que costuma se iterar continuamente até o processo ser inutilizado ou completado). o gosto de ultrapassar as armadilhas psicológicas, que você coloca sobre si, munido apenas da sua pré-disposição à multiplicidade mental, só não é mais me-coma-me-coma-me-coma que cheesecake com calda de amoras e a monica bellucci.
por outro lado, a realização do evento causador do processo implica o fim do mesmo, gerando por sua vez o que na linguagem popular poderia ser entendido como uma síndrome de abstinência iniciada pela falta de processos no organismo do indivíduo, e que acarreta o dilema paradoxal de finalizar o processo e poder usufruir do evento/objeto almejado e não poder usufruir o evento/objeto almejado em decorrência da infelicidade que o fim do processo traz consigo.
do momento do consumo até o término do efeito são constatadas as seguintes fases:
observação:. o indivíduo busca reunir informações para analisar se a necessidade do processo é real, sendo esse critério totalmente subjetivo.
análise:. propõe duas reações, a negativa, que irá interromper o processo e inutilizá-lo; e a positiva que irá nos levar à próxima fase.
concentração:. o indivíduo foca no objetivo e fica impossiilitado de ver qualquer outra temática que não esteja relacionada ao processo, as vezes podendo até ficar anti-social e recluso.
intensificação:. as sensações crescem exponencialmente com a proximidade da última fase e o indivíduo experimenta alterações de humor freqüentes, sendo confundida comumente com bipolaridade ou simples bobeira, à medida que ele passa da extrema euforia à ansiedade, acompanhada de crises de choro e tristeza súbitas, podendo iniciar outro processo, a depressão, que por sua vez deve ser abortado assim que percebido por intervenção médica.
realização:. o processo é completado, forçando o usuário a buscar outra dose antes da sindrome de abstinência se manifestar.

a interrupção do processo pode ocorrer a qualquer momento, causada por fortes cargas emocionais no indivíduo, não sendo estas obrigatoriamente relacionadas ao objetivo.


com base nos fatos, podemos afirmar que no período do meu inferno astral, eu na realidade estou experimentando a Intensificação do processo Aniversário e estando focada nesse processo fico impossibilitada de iniciar outros processos menores, apenas aproveitando o que acontece sem planejamento prévio; e que é realmente um período de auto-conhecimento (e picaretagem).