terça-feira, 30 de agosto de 2016

rasgar o véu do encantamento
enxergar as traquitanas
a.r.t.i.m.a.n.h.a.s

o poema reciclado
a palavra vazia
a letra da música não exatamente

sua

a boca beijada enquanto o desejo pensa
em outras
línguas

apenas uma trapaça da mente
sedenta por mais que tão

pouco

caso, nada que não um

basta.

terça-feira, 19 de maio de 2015

cenário
um saguão de aeroporto
pessoas vão e vem
como há de ser
gaguejam olhares
ensaiam sentimentos

erramos
insistimos
desistimos
inevitavelmente
resistimos.

depois de todo ensaio
eu seguro sua mão na minha
estréia embarque caminho

destino

despacho minhas malas
fechadas

mas você insiste em revirar essas bagagens de mão.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

preciso chover

e assim, de repente, veio um desejo de (d)escrever.

você.

onda. jorro. total descontrole.

...mas esqueci como:

palavra após palavra l  e  t  r  a  a  p  ó  s  l  e  t  r  a

parece não mais bastar.

como se a seca me impedisse de dar

um mergulho

no meu próprio oceano.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

a paixão segundo amy winehouse

wake up alone.
love is a losing game.

long day.
procrastination.

we're still friends.
just friends.
get over it.

rehab!

stronger than me...

back to black.

tears dry on their own.


terça-feira, 13 de maio de 2014

com quantos verbos se faz um dia?

acordar. sonecar. de novo. de novo.
um chá. uma torrada. um nada.
se vestir. se trocar. não se decidir.
(re)pensar. ensaiar. errar.
exigir. conseguir. quase desistir.
trafegar. aprender a esperar.
deitar. querer. não ter.
viver um dia inteiro sem sentir.

dormir.
despertar.
e repetir.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

numb:.


On rencontre sa destinée souvent par des chemins qu'on prend pour l'éviter.


terça-feira, 16 de julho de 2013

ternário, em três

Aconteceu. Não há mais o mais que ali estava.
Onde foi que ele foi andar?
Andava só, os pés andados sem os braços, entrelaçados.
Andavam juntas, de almas dadas, a luz e a cor. Cor.
Cor desbotada.

domingo, 12 de agosto de 2012

será que eu não sei ser feliz? ou apenas não quero ser?

laura marling .:. old stone
maria bethânia .:. pra dizer adeus
beck .:. lost cause


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ítaca

Quando partires de regresso a Ítaca,

deves orar por uma viagem longa,

plena de aventuras e de experiências.

Ciclopes, Lestrogónios, e mais monstros,

um Poseidon irado - não os temas,

jamais encontrarás tais coisas no caminho,

se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime

teu corpo toca e o espírito te habita.

Ciclopes, Lestrogónios, e outros monstros,

Poseidon em fúria - nunca encontrarás,

se não é na tua alma que os transportes,

ou ela os não erguer perante ti.


Deves orar por uma viagem longa.

Que sejam muitas as manhãs de Verão,

quando, com que prazer, com que deleite,

entrares em portos jamais antes vistos!

Em colónias fenícias deverás deter-te

para comprar mercadorias raras:

coral e madrepérola, âmbar e marfim,

e perfumes subtis de toda a espécie:

compra desses perfumes quanto possas.

E vai ver as cidades do Egipto,

para aprenderes com os que sabem muito.


Terás sempre Ítaca no teu espírito,

que lá chegar é o teu destino último.

Mas não te apresses nunca na viagem.

É melhor que ela dure muitos anos,

que sejas velho até ao ancorar na ilha,

rico do que foi teu pelo caminho,

e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.


Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.

Sem Ítaca, não terias partido.

Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.


Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.

Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,

terás compreendido o sentido de Ítaca.


Konstantinos Kavafis

Ithaca (1911)


kind of blue .:. miles davis & john coltrane

sábado, 12 de março de 2011

can I handle the seasons of my life?

não escrevia há tanto tempo.
mas reencontrei um tesão por mim mesma.
don't get me wrong (pretenders reference: check), é um tesão assim, bem metafísico.

você já sentiu a dor de amadurecer? no exato momento em que acontece?
...
me dei conta do ciclo.
da natureza do patamar.
sabe aquele patamar em que você fica estagnado entre seus períodos de crescimento?
esse.
e aceitei.
não posso viver no crescente perpétuo, embora como boa virginiana eu queira, e muito.
e foi nesse estalo que eu sai dele e voltei a crescer, não pra cima nem pros lados, graças a deus!

pra frente.


stevie nicks .:. landslide



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

people will do to you what you allow them to.

in a sentimental mood .:. john coltrane

quarta-feira, 28 de julho de 2010

numa profunda insatisfação comigo mesma; em nunca atingir meu potencial por completo.

mas aí que tá: talvez eu nem tenha esse potencial e a real insatisfação seja nunca concretizar meu sonho de ser alguém com tanto potencial.

chico .: sem fantasia .: construção .: pedaço de mim

quinta-feira, 22 de julho de 2010

auto-retrato pós buenos aires

pés: dedinho esquerdo mutilado e unha do dedão direito com um hematoma roxo.
pernas: cansadas de tanto pular na balada e descer até o chão. ah! e andar pelas ruas fazendo turismo (gastronômico).
quadris: maiores!
cintura: também!
estômago: feliz por estar de volta.
fígado: triste por estar de volta.
coração: batendo.
pescoço: sem frio e com echarpes novas.
boca: rachada.
dentes: sem metal!
nariz: entupido.
olhos: de guaxinim.
cabeça: Branca.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Broke. In every way.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

acordei na minha cama sozinha. achei estranho, eu nunca acordo depois...
ainda meio sonolenta levantei, e tudo parecia diferente; vazio.
a nossa parede não era daquela cor... e eu sei que não bebi ontem!

comecei a correr, um pouco desesperada, tentando encontrar algo familiar, algo que me dissesse que aquela era a casa.
olhei pela janela e não tinha mato lá fora.
procurei nas estantes e nenhuma hq.

nenhum barulho, nenhuma criança. AI MEU DEUS, cadê as crianças?

amor, você viu as crianças por aí?

amor?

será que eu sonhei?

quarta-feira, 24 de março de 2010

maria é uma moça como qualquer outra; possui suas mil particularidades e, ainda assim, nada de particular.

domingo, 31 de janeiro de 2010

fui comprar roupa de cama. adoro a sensação do lençol-dobradinho-de-fábrica!
pena que só dura uma noite.
e estava eu deitada na cama e reparei que meus dedos diminuíram!
quem me conhece sabe que periodicamente eu acho que alguma parte do meu corpo mudou de tamanho (normalmente os peitos); mas não naqueles lugares óbvios que a gente ganha quando pesa a mão no rodízio de pizza, não! no pé, no cotovelo...
e eu sei lá, ou meu acúmulo primário de gordura é nas juntas ou minha miopia aumentou.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

dois anos

dois olhos.
uma cabeça.
dois gatos.
éramos seis.
9 meses de você

vinte-e-um anos.
quase vinte-e-dois.

terça-feira, 28 de julho de 2009

28 de julho de 2009

é, hoje eu fumei.
um cigarro é mais barato que uma sessão de terapia.
me olhei num reflexo e me achei meio bonita. assim no meu modelito jeans-camiseta-cachecol-descabelada...
pensei.
reguei as plantas.
senti saudade.


janis joplin .:. me and bobby mcgee

quinta-feira, 9 de julho de 2009

uma semana

hoje eu esperei,
assisti todos os programas da tevê,
contei os minutos,
esperando na janelinha
que é pra ver se você volta, que é pra ver se você vem...


segunda-feira, 11 de maio de 2009

pi pi pi

eu odeio gente chata.
odeio gente. eu, chata.
gente, odeio eu chata.

terça-feira, 5 de maio de 2009

coffee break, s'il vous plait

quando se dá conta que deve mirar pela janela e não no espelho...
não está a mirar, pois, no espelho?

cat stevens .:. tuesday's dead

terça-feira, 17 de março de 2009

de sombra prateada em sombra prateada...

você já acordou algum dia querendo ser uma drag queen?

pois é, nem eu.

quinta-feira, 12 de março de 2009

papai noel, dai-me mais força de vontade

eu queria acordar amanhã acostumada à rotina dos meus sonhos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

confusão mental. lágrimas no sofá.
analiso-analiso-analiso. nada faz sentido.
falta contato. falta conforto. mais lágrimas.
tomo o remédio. com os olhos inchados.

você me entende? não. nem eu.
pego a linha angústia-desespero.
e não tenho idéia da estação em que devo descer.


laura marling .:. ghosts

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

o desencontro do afeto, das pessoas, dos lugares

queria lhe dar flores. queria me dar pra você. [sussurro] sou sua [/sussurro]. embalada pra presente com uma fita de cetim.

Ab Bbm Eb Fm Ab Bbm C7

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

roda, roda, roda baleiro, atenção!
quando o baleiro parar, põe a mão.
pegue a bala mais gostosa do planeta,
não deixe que a sorte se intrometa.
bala de leite kids,
a melhor bala que há.
bala de leite kids,
quando o baleiro parar.


.: eu adoro esse jingle :.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

uma canção ou um poema?

carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.

drummond.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

pingos nos is II

fez sentido.
sentada na raia.
ouvindo um baque.
virado.

domingo, 28 de setembro de 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

com contornos

a gente é tão fotografável.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

quer que eu desenhe?

eu tentei. mas a marisa que eu pus aquele dia, naquele lugar, em que a nossa dinâmica estava toda errada, foi pra você.
e como eu quero acreditar que os besouros foram pra mim.

domingo, 10 de agosto de 2008

título

eu queria saber tudo.
um dia.
eu queria mesmo saber o que é tudo.

se eu tivesse tudo: onde eu ia guardar?
numa caixinha maior que tudo?

segunda-feira, 30 de junho de 2008

como se coloca lágrimas no papel?
em palavras?
sem palavras?
hoje é só o que tem:
lágrimas e o desespero de não saber porque chora.

beatriz .:. chico

quinta-feira, 12 de junho de 2008

tudo bem baratinho ó

hoje eu fui a feira e comprei um hipérbato, uma anáfora, um cantus firmus de contraponto de segunda espécie, um princípio de isonomia, um músculo esquelético poplíteo, uma bandeira, a primeira edição do história da música ocidental do grout e paliska, um cigarro, um saquinho cheio de pedacinhos de potássio, uma faca de cortar pães com serrinha (para pães com serrinha), cem pães, um dvd de são luis do paraitinga (onde o clima é ó-ti-mo), um vinho, uma piscina, um anão filosófico, uma porta, uma cama e um quilo de sementes de girassol moídas.

terça-feira, 10 de junho de 2008

all work and no pay makes jane a poor girl

o período sabático foi por demais proveitoso, mas hoje me encontrei numa vontade louca, quase desesperada, de escrever. e esse é apenas um comunicado. estou escrevendo. em breve postarei.

por enquanto uma frase ó-ti-ma; ganha um chocolate quem adivinhar de onde veio:


"nunca mais vou dançar, pés culpados não têm ritmo."


something about us .:. daft punk

segunda-feira, 21 de abril de 2008

inteira em pedaços

how can you stay outside? there's a beautiful mess inside.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

inside out

- Ah!
Acorda sem enxergar nada.
Corre pro banheiro, lava o rosto, enxuga os olhos e nada.
Abre o colírio, pingos exagerados [abrefechaabrefecha] e nada.

Começa a ver uns pontos. De luz, os pontos. Se movimentam.
E viram traços. De luz, os traços. E se interligam.
Em conexões. De luz.

Sente as conexões na pele. [cheiracheira] As luzes têm gosto.
São seus pensamentos, imagina. Suas sensações.
Agora pode vê-los.

e não é que acordou com os olhos virados pra dentro?

domingo, 16 de março de 2008

ninguém pulou nas minhas pernas quando abri a porta;
nem dormiu no meu colo vendo tevê;
e quando eu chamei, me responderam em silêncio.

hoje foi um dia ruim,
e não me sinto mais em casa.


.:o mundo anda tão complicado:.

domingo, 9 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

graduando.

qual a medida do querer?
como a gente sabe em que grau está?
como a gente sabe quando chega lá?

e se perde, onde foi?
nos finais, no meio, ou começou de costas pro certo?

e se não chega?


i'm a stranger here myself.:.kurt weill

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

D G D A

É triste pensarmos quantas estradas não podemos mais pegar...
É triste pensarmos nos retratos que não sorriem mais. Passado.
É triste.

lean on me.:.club nouveau

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

tpm

novo drink (muito eficaz para cólicas): shot de uísque com buscopan.

don't stop me now.:.queen

sábado, 12 de janeiro de 2008

aqui

Os ventos são seus, sopre-os.

will you still love me tomorrow.:. amy winehouse

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

agora

não vejo mais a cor vermelha.

be be your love.:.rachael yamagata

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

dia-dê

quando se olhou no espelho aquela manhã, percebeu que não era mais a mesma.
- "quem é você?" - ela perguntou enquanto lavava o rosto.

não obtendo resposta tornou a indagar, dessa vez uma pergunta menos complexa: "qual o nome do barulho que o pato faz?"

o reflexo viu nos olhos dela seu rosto formando uma grande interrogação, e pensou - boas perguntas.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

eu queria ser:

Anne Sofie von Otter
Erlkönig (F. Schubert)

domingo, 9 de dezembro de 2007

revival

estava eu a visitar meu antigo blog e me deparei com um texto que eu gosto muito e que teve muito significado pra mim, achei por bem então (re)postá-lo, embora nada de bom deva acontecer com aquele que resolver abrir antigas feridas.

e era ela só.

desde que resolveu que ia se descobrir. quantas vezes terá que ouvir o requiem e ler os pensamentos de alguém que conheceu tão bem e destruiu em sua frente, sem fazer nada, se escondendo no medo, afinal convenhamos: não é um grande frango?

pó pó pó.

mas não seria humana se tivesse reconhecido seu erro a tempo. tentou de todas as maneiras fugir da realidade, do que é, do que sente. pela outra, a outra, a mesma. do que ela foi e sempre será e sabe deus porque!

deus e mãe dinah. ah, essa mulher sabe das coisas.

(nesse ponto, você, leitor, já sacou que a ironia é a minha característica mais latente)

e sem a sensação do fatídico tarde demais, do dramático e agora? e do famigerado vazio no peito o que seria dos grandes inspirados wannabe escritores e sanguíneos no geral?

queria ter escrito mais bonito, mais poético, mais digno dela. mas conseguiu que saísse verdadeiro.

e considerou ser o bastante.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

eu a conheço? eu a conheço.

você parada na minha frente, fingindo não me ver.
eu a vejo. você me vê, eu sei.
sabe esses olhos que você usa? são meus.
sou eu ajeitando essas suas mechinhas teimosas na testa.
estou olhando agora!
você sente?
meus músculos cansados dos seus movimentos.
minha mão segura seu peso no vagão do metrô. e está começando a doer.

é possível?

que todos os meus déjà-vus eu tenha vivido no seu corpo?

sábado, 24 de novembro de 2007

você não me serve mais.

a limpeza social ainda é o melhor remédio.

descontei a frustração naquele vaso. coitado!
um presente sem culpa.
fui injusta, eu sei. e já me desculpei com ele, o vaso.

com você?
não mesmo.
eu não te quebrei!
eu não te joguei de cima da mesa num acesso de fúria.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

pessoa

(...)Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto
Procuro encos
tar as palavras à idéia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras.
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato de que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu. (...)

O guardador de rebanhos, Alberto Caeiro


(...)Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E, hoje, quando me sin
to
É com saudades de mim.

Não perdi a minha alma
Fiquei com ela, perdida
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma. (...)

Dispersão, Mário de Sá-Carneiro


engraçado como intrínseca à minha (des)(re)construção encontrei a graça e o soco-no-estômago dos poetas portugueses.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

ouvindo jazz

tam tam| tiririm ritiri tirim| papara|tadada tatadada| paripara|du dum| dudum dum| paraparara| Para| dada| du dum| DA DA DA| ts ta tssss tu ta| parara parara parari tiri tiriri | tiririiririirum| du dum| dudu dum dudu| du ts ta| da diiiiiiiii| turu tudururu parara| tada tatada tada tada tada tsss tata tu dum parara da| tatata tatata tatatata tatata dudu dummm du dumm dudu| pa PA pa PA PA | tididi tididi| dudu DU| tsssssss| Ta DA Ta da TA | pa paaaaaaaaa| ti di dim| pa paaaaaaa| ti ti tim | ti di di di dimmmmmmm...

sábado, 20 de outubro de 2007

noites na taverna

estavam todos sentados numa, numa não, eram umas três ou quatro mesas de bar; tomavam uma excelente cachaça mineira, muitas cervejas e discutiam de política à música com uma fluidez própria do álcool e depois de algumas horas, na mesma proporção que a taxa alcoólica subia no sangue, a dignidade do assunto diminuia: decidiram jogar eu nunca.
perguntas-padrão e perguntas-constrangedoras-sobre-sexo depois, jogam "a" pergunta: eu nunca fiz xixi em alguém.

(pois é, pelamordedeus)
eis que a menina-cara-de-santa ergue seu copo na maior inocência e quase toma um gole de sua cachaça, não fosse interrompida por um sonoro ARGH! proferido por, bom, todos na mesa.
desde então ela jura que não ouviu a pergunta e os amigos juram que foi um ato falho, mas mediante piadinhas e lembranças do infeliz acontecido ela não hesita em ameaçar repetir o (não) feito no humorista da vez.

lenda urbana? é, eu que não quero saber.

sábado, 13 de outubro de 2007

- why do you remember all these things?

- what about you? do you choose to forget?

domingo, 7 de outubro de 2007

ó céus, andei picaretando o blog e não escrevi mais. na realidade fiquei doente (ainda não sei do que) e na minha indisposição nem liguei o computador.... mas agora estou novamente sã!

a pedidos, a minha fotinho sendo quase mastigada por um bode. é.... isso mesmo, eu só fui alimentar o bode, até porque nessa idade nem pensava em aprontar nada; e ele achou que eu tava oferecendo a minha mão..... bodes não são muito espertos, nem muito herbívoros!

domingo, 23 de setembro de 2007

o título? escolhe você.

abri os olhos. um gosto amargo na boca, maldito refluxo. odeio meu refluxo.
ainda meio indecisa se acordo, se adormeço, se levanto, se continuo na preguiça e calmaria do meu cobertorzinho xadrez, sobreposto ao lençol roxo que teima em escapar aos meu pés. um ventinho delicioso nos dedos!
já lembrando tudo o que fazer, a roupa a vestir, o shampoo que devo usar, os compromissos, e é domingo.
antecipo o meu café da manhã dentro da minha cabeça e ponderando sobre a dor de estômago que vai me dar comer aquele pãozinho francês recém-saído do forno, desisto de levantar.
ao que tudo indica, decidi continuar dormindo, mas tão logo vem a lembrança: se eu dormir mais um pouco, vai ser só isso, pouco, e eu vou acordar mais cansada e/ou com aquela dor-de-cabeça tão bem-vinda quanto fatura de cartão de crédito.
dormir está também fora dos planos.
o que fazer então? sei lá.
enquanto desenho no colchão algumas figuras e linhas tortinhas e um cadinho abstratas com a ponta dos dedos, percebo que não estou sozinha. eu nunca estou sozinha. fisicamente só, mas na cabeça mil idéias e acontecimentos. não consigo ficar parada. não sei estar. só estar. sem estar pensando, sem estar planejando, sem estar tendo que estar agendando o senhor pras consultas da tarde, sem jogar com o humor.
sem saber, sei que se não souber ficar sozinha, não saberei ficar só junto com alguém.
e a desconstrução continua. na esperança de entrar a fundo em mim e sair daqui uma pessoa mudada.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

resenha-wannabe

Depois de correr pelo centro da cidade numa cena que poderia (pela quantidade excessiva de entorpecidos e meliantes) facilmente estar em trainspotting, entro na sala de concerto, ofegante e, claro, atrasada, e a récita prestes a começar. Orquestra a postos, devidamente afinada; solistas entrando, o regente atrás.

Clap, clap, clap!

Uma cara de doido, um penteado que endossava essa idéia, Claus Peter Flor começa a Grande Missa em Si menor. Confesso: eu não estava preparada para tanto. Já ouvi essa peça algumas boas vezes, mas ao som do primeiro acorde eu já estava longe dali, transportada para alguma igreja alemã em 1700 e bolinha... Não conseguia formular um pensamento! só chorar.

e, acredito, se não tivesse um tantinho de vergonha e auto-preservação, ainda agora estaria chorando.

A missa começa e acaba de maneira arrebatadora! Não por sua massa sonora, nem suas harmonias bem construídas ou melismas mirabolantes; mas é tão cru! tão íntimo! (não há como descrever sensações e não ser subjetivo, tá?!) as conduções, as ligaduras, articulações! tudo é como deve ser. fica aquela sensação de "eu não teria mudado nada, foi perfeito".

bom, talvez mudasse a soprano solista, mas nem isso afetou a experiência para mim.

As duas mezzo-sopranos foram fenomenais; Ingeborg Danz honrando sua reputação como uma das melhores intérpretes de Bach de sua geração e Luisa Francesconi, com uma técnica impressionante e uma musicalidade natural, foi uma gostosa surpresa (brasileira, aliás).

O agnus dei foi tocante. Muito bem executado e interpretado, a pena foi eu não ter gravado...

mas ainda há esperança, pois ié babe, amanhã lá estarei eu de novo.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

reminiscências

Ode XI

Não procures saber - os deuses não permitem - o fim que será dado a mim ou a ti, Leocone, nem busque saber a sorte dos números nos templos babilônicos. O quanto é melhor dedicar-se aos afazeres domésticos. Sejam, ainda numerosos, os anos que nos restam, ou seja este o último que devemos dar tributo a Júpiter, sem nunca mais ver as fracas águas baterem nas duras rochas do Mar Tirreno. Sê sábia, filtra teus vinhos, e o tempo passará célere. De inveja, o tempo voa enquanto falamos: colhe o dia de hoje, não te importes com o amanhã.

Horacio - séc I a.c.



Confias no incerto amanhã? Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável? Aceitas que a diurna inquietação da alma substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos, os instantes; e nos lábios dessa que amaste morre um fim de frase, deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória, para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém, nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias; e abraças a própria figura do vazio. Então, por que esperas para sair ao encontro da vida, do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará à renúncia de mim próprio - nem esse olhar que me oferece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino por vezes, se confunde com a
brevidade do verso.

Nuno Júdice - séc XX

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

GRÁVIDA!

de luis carlos prestes.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

mary on the sofa

quando eu vi você, tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse mil faces num só instante

basta um instante

e você tem amor bastante


hoje me sentindo tão virginiana, o que mafoca diz ser uma constante.
hoje tentando cortar as frituras, o ócio e o drama.
hoje ainda persuadindo a tão sonhada des-construção. do início.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

.
eu queria ser uma árvore de natal.
carregada, arrastada, cortada..
tudo aquilo o que fazem com uma árvore de natal
decorada ia ficar tão bonita
fitas, sinos, anjos e estrelas.
ah, e bolinhas vermelhas. e douradas. e prateadas.
acho que prefiro as prateadas.
mas as vermelhas também.
não se esqueça das vermelhas!

posso ter bengalinhas?
diga que sim. por favor por favor por favor!
adoraria ter bengalinhas.
embaixo de mim, queria muitos presentes.
meus, por pouco, mas meus.
eu queria muito ser uma árvore de natal.
poderia ter uma vida curta
e feliz.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

bip bip bip

nos últimos dias do meu inferno astral, supostos piores dias do meu ano, chego à conclusão de que eu devo ter algum tipo de problema. (nada de dizer duh! eu já sabia....) eu não tenho inferno astral! pelo menos não antes do meu aniversário... do dia 24 de julho até 23 de agosto eu me divirto horrores, e descubro tantas coisas a meu respeito. como todo bom notívago sem absolutely niente para fazer, elaborei uma teoria com embasamento empírico que satisfaz as duas afirmações da frase anterior.

fatos:.
eu adoro processos. caminhos. a sensação será-que-sim-será-que-não-?-talvez-seja-melhor-se-não-mas-eu-
queria-tanto-que-sim,-acho-que-não-vou-pensar-mais-nisso-!-não-consegui... (sim sim, é uma sensação bem detalhada e que costuma se iterar continuamente até o processo ser inutilizado ou completado). o gosto de ultrapassar as armadilhas psicológicas, que você coloca sobre si, munido apenas da sua pré-disposição à multiplicidade mental, só não é mais me-coma-me-coma-me-coma que cheesecake com calda de amoras e a monica bellucci.
por outro lado, a realização do evento causador do processo implica o fim do mesmo, gerando por sua vez o que na linguagem popular poderia ser entendido como uma síndrome de abstinência iniciada pela falta de processos no organismo do indivíduo, e que acarreta o dilema paradoxal de finalizar o processo e poder usufruir do evento/objeto almejado e não poder usufruir o evento/objeto almejado em decorrência da infelicidade que o fim do processo traz consigo.
do momento do consumo até o término do efeito são constatadas as seguintes fases:
observação:. o indivíduo busca reunir informações para analisar se a necessidade do processo é real, sendo esse critério totalmente subjetivo.
análise:. propõe duas reações, a negativa, que irá interromper o processo e inutilizá-lo; e a positiva que irá nos levar à próxima fase.
concentração:. o indivíduo foca no objetivo e fica impossiilitado de ver qualquer outra temática que não esteja relacionada ao processo, as vezes podendo até ficar anti-social e recluso.
intensificação:. as sensações crescem exponencialmente com a proximidade da última fase e o indivíduo experimenta alterações de humor freqüentes, sendo confundida comumente com bipolaridade ou simples bobeira, à medida que ele passa da extrema euforia à ansiedade, acompanhada de crises de choro e tristeza súbitas, podendo iniciar outro processo, a depressão, que por sua vez deve ser abortado assim que percebido por intervenção médica.
realização:. o processo é completado, forçando o usuário a buscar outra dose antes da sindrome de abstinência se manifestar.

a interrupção do processo pode ocorrer a qualquer momento, causada por fortes cargas emocionais no indivíduo, não sendo estas obrigatoriamente relacionadas ao objetivo.


com base nos fatos, podemos afirmar que no período do meu inferno astral, eu na realidade estou experimentando a Intensificação do processo Aniversário e estando focada nesse processo fico impossibilitada de iniciar outros processos menores, apenas aproveitando o que acontece sem planejamento prévio; e que é realmente um período de auto-conhecimento (e picaretagem).