quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

eu queria ser:

Anne Sofie von Otter
Erlkönig (F. Schubert)

domingo, 9 de dezembro de 2007

revival

estava eu a visitar meu antigo blog e me deparei com um texto que eu gosto muito e que teve muito significado pra mim, achei por bem então (re)postá-lo, embora nada de bom deva acontecer com aquele que resolver abrir antigas feridas.

e era ela só.

desde que resolveu que ia se descobrir. quantas vezes terá que ouvir o requiem e ler os pensamentos de alguém que conheceu tão bem e destruiu em sua frente, sem fazer nada, se escondendo no medo, afinal convenhamos: não é um grande frango?

pó pó pó.

mas não seria humana se tivesse reconhecido seu erro a tempo. tentou de todas as maneiras fugir da realidade, do que é, do que sente. pela outra, a outra, a mesma. do que ela foi e sempre será e sabe deus porque!

deus e mãe dinah. ah, essa mulher sabe das coisas.

(nesse ponto, você, leitor, já sacou que a ironia é a minha característica mais latente)

e sem a sensação do fatídico tarde demais, do dramático e agora? e do famigerado vazio no peito o que seria dos grandes inspirados wannabe escritores e sanguíneos no geral?

queria ter escrito mais bonito, mais poético, mais digno dela. mas conseguiu que saísse verdadeiro.

e considerou ser o bastante.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

eu a conheço? eu a conheço.

você parada na minha frente, fingindo não me ver.
eu a vejo. você me vê, eu sei.
sabe esses olhos que você usa? são meus.
sou eu ajeitando essas suas mechinhas teimosas na testa.
estou olhando agora!
você sente?
meus músculos cansados dos seus movimentos.
minha mão segura seu peso no vagão do metrô. e está começando a doer.

é possível?

que todos os meus déjà-vus eu tenha vivido no seu corpo?

sábado, 24 de novembro de 2007

você não me serve mais.

a limpeza social ainda é o melhor remédio.

descontei a frustração naquele vaso. coitado!
um presente sem culpa.
fui injusta, eu sei. e já me desculpei com ele, o vaso.

com você?
não mesmo.
eu não te quebrei!
eu não te joguei de cima da mesa num acesso de fúria.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

pessoa

(...)Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto
Procuro encos
tar as palavras à idéia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras.
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato de que os homens o fizeram usar.

Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu. (...)

O guardador de rebanhos, Alberto Caeiro


(...)Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E, hoje, quando me sin
to
É com saudades de mim.

Não perdi a minha alma
Fiquei com ela, perdida
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma. (...)

Dispersão, Mário de Sá-Carneiro


engraçado como intrínseca à minha (des)(re)construção encontrei a graça e o soco-no-estômago dos poetas portugueses.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

ouvindo jazz

tam tam| tiririm ritiri tirim| papara|tadada tatadada| paripara|du dum| dudum dum| paraparara| Para| dada| du dum| DA DA DA| ts ta tssss tu ta| parara parara parari tiri tiriri | tiririiririirum| du dum| dudu dum dudu| du ts ta| da diiiiiiiii| turu tudururu parara| tada tatada tada tada tada tsss tata tu dum parara da| tatata tatata tatatata tatata dudu dummm du dumm dudu| pa PA pa PA PA | tididi tididi| dudu DU| tsssssss| Ta DA Ta da TA | pa paaaaaaaaa| ti di dim| pa paaaaaaa| ti ti tim | ti di di di dimmmmmmm...

sábado, 20 de outubro de 2007

noites na taverna

estavam todos sentados numa, numa não, eram umas três ou quatro mesas de bar; tomavam uma excelente cachaça mineira, muitas cervejas e discutiam de política à música com uma fluidez própria do álcool e depois de algumas horas, na mesma proporção que a taxa alcoólica subia no sangue, a dignidade do assunto diminuia: decidiram jogar eu nunca.
perguntas-padrão e perguntas-constrangedoras-sobre-sexo depois, jogam "a" pergunta: eu nunca fiz xixi em alguém.

(pois é, pelamordedeus)
eis que a menina-cara-de-santa ergue seu copo na maior inocência e quase toma um gole de sua cachaça, não fosse interrompida por um sonoro ARGH! proferido por, bom, todos na mesa.
desde então ela jura que não ouviu a pergunta e os amigos juram que foi um ato falho, mas mediante piadinhas e lembranças do infeliz acontecido ela não hesita em ameaçar repetir o (não) feito no humorista da vez.

lenda urbana? é, eu que não quero saber.

sábado, 13 de outubro de 2007

- why do you remember all these things?

- what about you? do you choose to forget?

domingo, 7 de outubro de 2007

ó céus, andei picaretando o blog e não escrevi mais. na realidade fiquei doente (ainda não sei do que) e na minha indisposição nem liguei o computador.... mas agora estou novamente sã!

a pedidos, a minha fotinho sendo quase mastigada por um bode. é.... isso mesmo, eu só fui alimentar o bode, até porque nessa idade nem pensava em aprontar nada; e ele achou que eu tava oferecendo a minha mão..... bodes não são muito espertos, nem muito herbívoros!

domingo, 23 de setembro de 2007

o título? escolhe você.

abri os olhos. um gosto amargo na boca, maldito refluxo. odeio meu refluxo.
ainda meio indecisa se acordo, se adormeço, se levanto, se continuo na preguiça e calmaria do meu cobertorzinho xadrez, sobreposto ao lençol roxo que teima em escapar aos meu pés. um ventinho delicioso nos dedos!
já lembrando tudo o que fazer, a roupa a vestir, o shampoo que devo usar, os compromissos, e é domingo.
antecipo o meu café da manhã dentro da minha cabeça e ponderando sobre a dor de estômago que vai me dar comer aquele pãozinho francês recém-saído do forno, desisto de levantar.
ao que tudo indica, decidi continuar dormindo, mas tão logo vem a lembrança: se eu dormir mais um pouco, vai ser só isso, pouco, e eu vou acordar mais cansada e/ou com aquela dor-de-cabeça tão bem-vinda quanto fatura de cartão de crédito.
dormir está também fora dos planos.
o que fazer então? sei lá.
enquanto desenho no colchão algumas figuras e linhas tortinhas e um cadinho abstratas com a ponta dos dedos, percebo que não estou sozinha. eu nunca estou sozinha. fisicamente só, mas na cabeça mil idéias e acontecimentos. não consigo ficar parada. não sei estar. só estar. sem estar pensando, sem estar planejando, sem estar tendo que estar agendando o senhor pras consultas da tarde, sem jogar com o humor.
sem saber, sei que se não souber ficar sozinha, não saberei ficar só junto com alguém.
e a desconstrução continua. na esperança de entrar a fundo em mim e sair daqui uma pessoa mudada.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

resenha-wannabe

Depois de correr pelo centro da cidade numa cena que poderia (pela quantidade excessiva de entorpecidos e meliantes) facilmente estar em trainspotting, entro na sala de concerto, ofegante e, claro, atrasada, e a récita prestes a começar. Orquestra a postos, devidamente afinada; solistas entrando, o regente atrás.

Clap, clap, clap!

Uma cara de doido, um penteado que endossava essa idéia, Claus Peter Flor começa a Grande Missa em Si menor. Confesso: eu não estava preparada para tanto. Já ouvi essa peça algumas boas vezes, mas ao som do primeiro acorde eu já estava longe dali, transportada para alguma igreja alemã em 1700 e bolinha... Não conseguia formular um pensamento! só chorar.

e, acredito, se não tivesse um tantinho de vergonha e auto-preservação, ainda agora estaria chorando.

A missa começa e acaba de maneira arrebatadora! Não por sua massa sonora, nem suas harmonias bem construídas ou melismas mirabolantes; mas é tão cru! tão íntimo! (não há como descrever sensações e não ser subjetivo, tá?!) as conduções, as ligaduras, articulações! tudo é como deve ser. fica aquela sensação de "eu não teria mudado nada, foi perfeito".

bom, talvez mudasse a soprano solista, mas nem isso afetou a experiência para mim.

As duas mezzo-sopranos foram fenomenais; Ingeborg Danz honrando sua reputação como uma das melhores intérpretes de Bach de sua geração e Luisa Francesconi, com uma técnica impressionante e uma musicalidade natural, foi uma gostosa surpresa (brasileira, aliás).

O agnus dei foi tocante. Muito bem executado e interpretado, a pena foi eu não ter gravado...

mas ainda há esperança, pois ié babe, amanhã lá estarei eu de novo.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

reminiscências

Ode XI

Não procures saber - os deuses não permitem - o fim que será dado a mim ou a ti, Leocone, nem busque saber a sorte dos números nos templos babilônicos. O quanto é melhor dedicar-se aos afazeres domésticos. Sejam, ainda numerosos, os anos que nos restam, ou seja este o último que devemos dar tributo a Júpiter, sem nunca mais ver as fracas águas baterem nas duras rochas do Mar Tirreno. Sê sábia, filtra teus vinhos, e o tempo passará célere. De inveja, o tempo voa enquanto falamos: colhe o dia de hoje, não te importes com o amanhã.

Horacio - séc I a.c.



Confias no incerto amanhã? Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável? Aceitas que a diurna inquietação da alma substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos, os instantes; e nos lábios dessa que amaste morre um fim de frase, deixando a dúvida definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória, para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém, nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias; e abraças a própria figura do vazio. Então, por que esperas para sair ao encontro da vida, do sopro quente da primavera, das margens visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará à renúncia de mim próprio - nem esse olhar que me oferece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino por vezes, se confunde com a
brevidade do verso.

Nuno Júdice - séc XX

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

GRÁVIDA!

de luis carlos prestes.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

mary on the sofa

quando eu vi você, tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse mil faces num só instante

basta um instante

e você tem amor bastante


hoje me sentindo tão virginiana, o que mafoca diz ser uma constante.
hoje tentando cortar as frituras, o ócio e o drama.
hoje ainda persuadindo a tão sonhada des-construção. do início.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

.
eu queria ser uma árvore de natal.
carregada, arrastada, cortada..
tudo aquilo o que fazem com uma árvore de natal
decorada ia ficar tão bonita
fitas, sinos, anjos e estrelas.
ah, e bolinhas vermelhas. e douradas. e prateadas.
acho que prefiro as prateadas.
mas as vermelhas também.
não se esqueça das vermelhas!

posso ter bengalinhas?
diga que sim. por favor por favor por favor!
adoraria ter bengalinhas.
embaixo de mim, queria muitos presentes.
meus, por pouco, mas meus.
eu queria muito ser uma árvore de natal.
poderia ter uma vida curta
e feliz.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

bip bip bip

nos últimos dias do meu inferno astral, supostos piores dias do meu ano, chego à conclusão de que eu devo ter algum tipo de problema. (nada de dizer duh! eu já sabia....) eu não tenho inferno astral! pelo menos não antes do meu aniversário... do dia 24 de julho até 23 de agosto eu me divirto horrores, e descubro tantas coisas a meu respeito. como todo bom notívago sem absolutely niente para fazer, elaborei uma teoria com embasamento empírico que satisfaz as duas afirmações da frase anterior.

fatos:.
eu adoro processos. caminhos. a sensação será-que-sim-será-que-não-?-talvez-seja-melhor-se-não-mas-eu-
queria-tanto-que-sim,-acho-que-não-vou-pensar-mais-nisso-!-não-consegui... (sim sim, é uma sensação bem detalhada e que costuma se iterar continuamente até o processo ser inutilizado ou completado). o gosto de ultrapassar as armadilhas psicológicas, que você coloca sobre si, munido apenas da sua pré-disposição à multiplicidade mental, só não é mais me-coma-me-coma-me-coma que cheesecake com calda de amoras e a monica bellucci.
por outro lado, a realização do evento causador do processo implica o fim do mesmo, gerando por sua vez o que na linguagem popular poderia ser entendido como uma síndrome de abstinência iniciada pela falta de processos no organismo do indivíduo, e que acarreta o dilema paradoxal de finalizar o processo e poder usufruir do evento/objeto almejado e não poder usufruir o evento/objeto almejado em decorrência da infelicidade que o fim do processo traz consigo.
do momento do consumo até o término do efeito são constatadas as seguintes fases:
observação:. o indivíduo busca reunir informações para analisar se a necessidade do processo é real, sendo esse critério totalmente subjetivo.
análise:. propõe duas reações, a negativa, que irá interromper o processo e inutilizá-lo; e a positiva que irá nos levar à próxima fase.
concentração:. o indivíduo foca no objetivo e fica impossiilitado de ver qualquer outra temática que não esteja relacionada ao processo, as vezes podendo até ficar anti-social e recluso.
intensificação:. as sensações crescem exponencialmente com a proximidade da última fase e o indivíduo experimenta alterações de humor freqüentes, sendo confundida comumente com bipolaridade ou simples bobeira, à medida que ele passa da extrema euforia à ansiedade, acompanhada de crises de choro e tristeza súbitas, podendo iniciar outro processo, a depressão, que por sua vez deve ser abortado assim que percebido por intervenção médica.
realização:. o processo é completado, forçando o usuário a buscar outra dose antes da sindrome de abstinência se manifestar.

a interrupção do processo pode ocorrer a qualquer momento, causada por fortes cargas emocionais no indivíduo, não sendo estas obrigatoriamente relacionadas ao objetivo.


com base nos fatos, podemos afirmar que no período do meu inferno astral, eu na realidade estou experimentando a Intensificação do processo Aniversário e estando focada nesse processo fico impossibilitada de iniciar outros processos menores, apenas aproveitando o que acontece sem planejamento prévio; e que é realmente um período de auto-conhecimento (e picaretagem).