abri os olhos. um gosto amargo na boca, maldito refluxo. odeio meu refluxo.
ainda meio indecisa se acordo, se adormeço, se levanto, se continuo na preguiça e calmaria do meu cobertorzinho xadrez, sobreposto ao lençol roxo que teima em escapar aos meu pés. um ventinho delicioso nos dedos!
já lembrando tudo o que fazer, a roupa a vestir, o shampoo que devo usar, os compromissos, e é domingo.
antecipo o meu café da manhã dentro da minha cabeça e ponderando sobre a dor de estômago que vai me dar comer aquele pãozinho francês recém-saído do forno, desisto de levantar.
ao que tudo indica, decidi continuar dormindo, mas tão logo vem a lembrança: se eu dormir mais um pouco, vai ser só isso, pouco, e eu vou acordar mais cansada e/ou com aquela dor-de-cabeça tão bem-vinda quanto fatura de cartão de crédito.
dormir está também fora dos planos.
o que fazer então? sei lá.
enquanto desenho no colchão algumas figuras e linhas tortinhas e um cadinho abstratas com a ponta dos dedos, percebo que não estou sozinha. eu nunca estou sozinha. fisicamente só, mas na cabeça mil idéias e acontecimentos. não consigo ficar parada. não sei estar. só estar. sem estar pensando, sem estar planejando, sem estar tendo que estar agendando o senhor pras consultas da tarde, sem jogar com o humor.
sem saber, sei que se não souber ficar sozinha, não saberei ficar só junto com alguém.
e a desconstrução continua. na esperança de entrar a fundo em mim e sair daqui uma pessoa mudada.
domingo, 23 de setembro de 2007
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
resenha-wannabe
Depois de correr pelo centro da cidade numa cena que poderia (pela quantidade excessiva de entorpecidos e meliantes) facilmente estar em trainspotting, entro na sala de concerto, ofegante e, claro, atrasada, e a récita prestes a começar. Orquestra a postos, devidamente afinada; solistas entrando, o regente atrás.
Clap, clap, clap!
Uma cara de doido, um penteado que endossava essa idéia, Claus Peter Flor começa a Grande Missa em Si menor. Confesso: eu não estava preparada para tanto. Já ouvi essa peça algumas boas vezes, mas ao som do primeiro acorde eu já estava longe dali, transportada para alguma igreja alemã em 1700 e bolinha... Não conseguia formular um pensamento! só chorar.
e, acredito, se não tivesse um tantinho de vergonha e auto-preservação, ainda agora estaria chorando.
A missa começa e acaba de maneira arrebatadora! Não por sua massa sonora, nem suas harmonias bem construídas ou melismas mirabolantes; mas é tão cru! tão íntimo! (não há como descrever sensações e não ser subjetivo, tá?!) as conduções, as ligaduras, articulações! tudo é como deve ser. fica aquela sensação de "eu não teria mudado nada, foi perfeito".
bom, talvez mudasse a soprano solista, mas nem isso afetou a experiência para mim.
As duas mezzo-sopranos foram fenomenais; Ingeborg Danz honrando sua reputação como uma das melhores intérpretes de Bach de sua geração e Luisa Francesconi, com uma técnica impressionante e uma musicalidade natural, foi uma gostosa surpresa (brasileira, aliás).
O agnus dei foi tocante. Muito bem executado e interpretado, a pena foi eu não ter gravado...
mas ainda há esperança, pois ié babe, amanhã lá estarei eu de novo.
Clap, clap, clap!
Uma cara de doido, um penteado que endossava essa idéia, Claus Peter Flor começa a Grande Missa em Si menor. Confesso: eu não estava preparada para tanto. Já ouvi essa peça algumas boas vezes, mas ao som do primeiro acorde eu já estava longe dali, transportada para alguma igreja alemã em 1700 e bolinha... Não conseguia formular um pensamento! só chorar.
e, acredito, se não tivesse um tantinho de vergonha e auto-preservação, ainda agora estaria chorando.
A missa começa e acaba de maneira arrebatadora! Não por sua massa sonora, nem suas harmonias bem construídas ou melismas mirabolantes; mas é tão cru! tão íntimo! (não há como descrever sensações e não ser subjetivo, tá?!) as conduções, as ligaduras, articulações! tudo é como deve ser. fica aquela sensação de "eu não teria mudado nada, foi perfeito".
bom, talvez mudasse a soprano solista, mas nem isso afetou a experiência para mim.
As duas mezzo-sopranos foram fenomenais; Ingeborg Danz honrando sua reputação como uma das melhores intérpretes de Bach de sua geração e Luisa Francesconi, com uma técnica impressionante e uma musicalidade natural, foi uma gostosa surpresa (brasileira, aliás).
O agnus dei foi tocante. Muito bem executado e interpretado, a pena foi eu não ter gravado...
mas ainda há esperança, pois ié babe, amanhã lá estarei eu de novo.
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