Depois de correr pelo centro da cidade numa cena que poderia (pela quantidade excessiva de entorpecidos e meliantes) facilmente estar em trainspotting, entro na sala de concerto, ofegante e, claro, atrasada, e a récita prestes a começar. Orquestra a postos, devidamente afinada; solistas entrando, o regente atrás.
Clap, clap, clap!
Uma cara de doido, um penteado que endossava essa idéia, Claus Peter Flor começa a Grande Missa em Si menor. Confesso: eu não estava preparada para tanto. Já ouvi essa peça algumas boas vezes, mas ao som do primeiro acorde eu já estava longe dali, transportada para alguma igreja alemã em 1700 e bolinha... Não conseguia formular um pensamento! só chorar.
e, acredito, se não tivesse um tantinho de vergonha e auto-preservação, ainda agora estaria chorando.
A missa começa e acaba de maneira arrebatadora! Não por sua massa sonora, nem suas harmonias bem construídas ou melismas mirabolantes; mas é tão cru! tão íntimo! (não há como descrever sensações e não ser subjetivo, tá?!) as conduções, as ligaduras, articulações! tudo é como deve ser. fica aquela sensação de "eu não teria mudado nada, foi perfeito".
bom, talvez mudasse a soprano solista, mas nem isso afetou a experiência para mim.
As duas mezzo-sopranos foram fenomenais; Ingeborg Danz honrando sua reputação como uma das melhores intérpretes de Bach de sua geração e Luisa Francesconi, com uma técnica impressionante e uma musicalidade natural, foi uma gostosa surpresa (brasileira, aliás).
O agnus dei foi tocante. Muito bem executado e interpretado, a pena foi eu não ter gravado...
mas ainda há esperança, pois ié babe, amanhã lá estarei eu de novo.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
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Um comentário:
essa missa é chocante! fiquei extasiada quando ouvi com a mesma OSESP, há uns bons cinco anos...
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